Viagem de Livingstone para Lusaka sem problemas. Como sempre, a camioneta foi parando ate encher todos os lugares. Isso deu para um atraso de 2 horas. O senhor que se sentou ao meu lado trabalhava para uma ONG local, que promovia a luta contra a SIDA nas aldeias, tanto a nivel de prevencao como tratamento e discriminacao. Aqui parece haver uma grande consciencia da doenca, e uma grande luta para travar e mesmo diminuir a incidencia desta. Mas numa cultura onde o homem e' o dono das terras e da casa, e a mulher nao tem outro meio de subsistencia, nas aldeias quem manda e' sempre o homem, e por isso a mulher tem que se sujeitar a tudo que o homem quiser. Por isso e' bastante comum mulheres casadas contrairem o virus HIV atraves do marido, que raramente e' fiel por estas bandas.
A conversa correu bem, e quando chegamos a Lusaka, ele ofereceu-me boleia para o hotel. Ainda bem, porque chegamos ja de noite, e quando sai da camioneta havia 50 taxistas raivosos (numero propositadamente exagerado, para gerar simpatia por parte dos ciber-leitores), a tentar arrancar-me a mochila para eu ir no taxi deles. Hotel simpatico e confortavel, e quente(!!!), refeicao simples. (Fairview Hotel). Dia seguinte acordar 'as 6 para apanhar a camioneta para Harare, Zimbabwe. A estacao de camionetas, de dia, ja parecia mais calma e civilizada. Entre puxoes para esta e aquela camioneta, escolhi a que tinha melhor aspecto para ir para Harare. Partiu ao meio-dia. Atravessar a fronteira foi muito facil, fizeram um posto comum, moderno, para sair da zambia e entrar no Zimbabwe. Havia babuinos a passear entre a fila de espera, mas desta vez eu estava atento!
Decidi ir ao Zimbabwe porque a minha amiga Ana, que se mudou para la ha 1 ano, tinha dito que aquilo era muito desenvolvido e organizado, e como so' se ouvem mas noticias sobre o pais, estava com curiosidade.
Cheguei as 22.00, a Ana foi-me buscar 'a estacao. "Hola (e' espanhola), que tal el viaje?, tra la la". "Vamos directos para o bar, porque a entrada fecha 'as 23, e depois ja nao ha sitio para irmos!". Era sexta-feira, va se la perceber...
Assim, directo da camioneta apertada e "bem cheirosa", fui directo para o bar mais "pijo" de Harare. Na zona residencial, so brancos bem vestidos la. La me arranjaram uns salgadinhos e umas cervejas para enganar a fome. Aparecerem uns amigos da Ana, conversa puxa conversa, e passado uma hora ja tinhamos posto toda a gente no bar a dancar em cima das mesas. Como sao passaros madrugadores, 'as 2 ja estavamos em casa.
Mais uma casa gelada, preparada tao e somente para o verao. Mas uma casa fantastica, numa zona residencial da cidade. Como descobri depois, Harare esta' dividida entre zona de vivendas e zona de edificios sociais de 4 ou 5 andares. Bairros de lata nao os vi, mas pela certa que os ha'. A zona de vivendas e' algo fenomenal. Quem tem um minimo de dinheiro mora nesta zona. Vivendas boas ou melhores, todas com um jardim enorme a toda a volta, todas (e acho que sao mesmo todas), com piscina. As ruas sao todas largas, os passeios sao de relva meticulosamente tratada, e arvores a fazer sombra. Pequenos centros comerciais ao ar livre, espalhados, a maior parte a distancia para chegar la' a pe'. A Ana mora numa vivenda com 2 quartos, 3 salas, cozinha enorme, empregada interna, seguranca, e jardineiro (e' o staff standard, parece). A renda: 1200 USD/mes. Para quem mora em luanda, isto da' para chorar... Nem sequer ha' transito para chegar ao centro!!!
No dia seguinte, uma visita a um pequeno parque nacional, com gravuras rupestres pre'-historicas. A zona esta' mantida como deve ter sido ha 50.000 anos 'atras, quando os primeiros homens andaram por aqui. Foi nesta parte do mundo (na zona que vai do Quenia ate ao Zimbabwe) que se cre que o homem evolui ate 'a sua forma de Homo Sapiens. As gravuras sao perfeitas, extremamente nitidas ainda, gravadas na parede de uma especie de anfiteatro formado naturalmente numa zona rochosa, onde eles provavelmente viviam. Igualzinho 'as figuras que temos nos nossos livros de historia do ciclo (segundo ciclo!).
Do parque voltamos 'a cidade, almocar um grande T-bone num dos pequenos centros comerciais. Civilizacao, e' o que e'! Depois, bem cheios, fomos visitar os leoes. Fomos a um pequeno parque, onde no nosso carro, andamos no meio de leoes bem crescidos. Mas eram animais calmos, domesticados (o tratador andava a pe no meio deles a fazer-lhes festas), optimos para tirar umas fotos. Depois, visitamos um pequeno zoo, onde tinham toda a especie de felinos africanos: leoes, chitas, hienas, cervais, e outros pequenitos que nao me lembro do nome. So tinham uma simples rede a separar os animais enjaulados dos animais visitantes, pelo que ficavamos muito perto dos leoes. Demasiado, talvez. A certa altura, estava a ver um dos leoes (bem crescido), quando este comeca a correr em direccao a mim, foram 2 segundos, e ele parou a 1 metro de mim. Fiquei branquinho de medo. Olhei para tras e percebi. As 4 pessoas que estavam comigo, momentos antes tinham virado costas e ido embora. Vi pela primeira vez o que sempre tinha ouvido dizer: os predadores selvagens (leoes, leopardos, tubaroes) quando vem alguem a fugir (virar costas e ir embora foi claramente entendido como fugir), fazem um clic na cabeca do animal, e ele imediatamente entra em modo de ataque. Menos mal que desta vez tinha uma redezinha a separar-nos. Como nao tinha forca nas pernas, fiquei ali a olhar para o bicho. Ele fartou-se e foi-se embora. Quando eu fiz o mesmo, la desatou ele outra vez a correr. De longe, e' um animal muito bonito a correr!
Bicho nervoso, o leão... o tratador deve estar cheio de arranhões nas costas.
ResponderEliminarE essa malta do Zimbabwe é bem porreira! "Vamos deixar aqui o português a brincar com leões que a gente já volta..."
Acho que o teu episódio prova bem a moral daquela anedota "quando se foge de um leão, não se tem que ser mais rápido que o leão, basta ser mais rápido que o gajo do lado".
Bem... fico feliz por ver que te dás bem com a bicharada.
Meu amigo, grande abraço. Fico à espera do próximo relato.
Renato