quinta-feira, 7 de julho de 2011

A caminho do lago

Uma das etapas da viagem era subir, de barco, o lago Tanganika, que fica no norte da Zambia. Como o barco era so dia 24, andei a empatar tempo durante duas semanas, entre o Zimbabwe e South Luangwa. Mas ja estava na hora, e meti-me a caminho do norte da Zambia.


Deixei o parque de South Luangwa de aviao, de regresso a Lusaka. Aproveitei uma modalidade muito simpatica que a Zambia Air tem, que se chama Stand-by ticket. Vamos para o aeroporto uma hora antes do voo. Se sobrarem lugares no aviao, o bilhete fica por 60$. Isto sim, e' organizacao e optimizacao(pelo menos fizeram um passageiro feliz)! Com 3 voos diarios, um tinha que ter um lugar. Foi logo no primeiro.
No aviao ia tambem, por coincidencia, um dos guias do parque, que ia de ferias para outro parque na Zambia. Como ficava a caminho, cravei boleia. E assim fiz a primeira parte do percurso de Discovery. Ainda deu para ver uma parte de Lusaka que nao conhecia, mais desenvolvida e moderna (afinal a cidade ate' e' engracada), e depois fazer 500 kms de caminho. Ja de noite, deixaram-me numa pequena vila, de seu nome Serenje. Agarrei o primeiro motel que apareceu, e eles partiram. Acho que de noite, todos os moteis parecem manhosos. Mas 'aquela hora tambem nao podia ir procurar mais. Mas ate era simpatico, e pelos vistos eu era o unico cliente. Dia seguinte, procurar autocarro para a cidade seguinte. Perguntei no motel, e o recepcionista disse que em Serenje so parava uma camioneta, a dos Correios, que ia para Kasama. A dos Correios? Sim, a dos Correios. E onde e' que apanho a camioneta dos Correios? Nos Correios!(estupido...). E muito simpatico, veio de taxi comigo para me mostrar onde era. E realmente, la estava o posto dos Correios, e la comprei o bilhete para o autocarro dos Correios! Deve ser para ir no meio das cartas e das encomendas, imaginei.
Ainda tive tempo para dar uma voltinha na vila, so com uma rua, lojas dos dois lados, quase todas de productos agricolas, mercearias, e de telemoveis. Os telemoveis sao muito importantes em Africa! Levantei dinheiro no Multibanco (pois e', ate este ermo tem multibanco!) e voltei para os Correios. La chegou, e afinal era uma camioneta normal (embora bastante velha). Mas como o "porao" ia cheio de correio, as malas iam nos ultimos bancos, ainda vazios. Ao contrario das outras viagens, nesta os meus companheiros de viagem eram ali da zona, todos agricultores ou afins. A senhora ao meu lado, ja de idade, mas ainda com ar de quem todos os dias trabalha no campo e carrega com muita coisa 'a cabeca. E foi entao que tive mais um dos momentos de "globalizacao", quando a senhora, debaixo das suas roupas africanas, muito simples porque nao tinha aspecto de ter dinheiro para mais, tira um telemovel igual ao meu e liga para alguem.  Nokia, mesmo modelo, mesma cor. Ver uma pessoa tao diferente de mim, de um meio que nao podia ser mais distante do meu, usar exactamente o mesmo telelmovel, fez-me sentir realmente que o mundo esta' pequeno, muito pequeno. Em qualquer parte do mundo, em qualquer profissao, hoje em dia, usamos os mesmos telemoveis, bebemos as mesmas bebidas, vemos os mesmos programas (na Zambia passa actualmente uma telenovela brasileira da globo).
Como chegamos a Kasama ja tarde, fiquei ai nessa noite. Uma guest-house muito simpatica, com uns belos jardins de uns senhores ingleses ja com 40 anos de Zambia, que ate gritaram com o taxista que me levou la, porque pelos vistos me estava a pedir um balurdio. Eu e' que fui estupido, que so' perguntei o preco depois de entrar no taxi, e nao antes. Depois queixo-me de ser chulado!
Dia seguinte, apanhei um mini-bus (um candongueiro, para quem conhece), para fazer o percurso final ate ao lago. Uma daquelas Hiaces onde deviam ir 12 pessoas, mas vao 20! Isto claro, sem contar com os bebes de colo, que ha sempre pelo menos 3 ou 4. Quando arrancou ate iamos poucos (uns 14), mas ele fez questao de dar a volta 'a cidade ate encontrar passageiros para fazer numero redondo. Viagem sem problemas. De vez em quando para mudar de posicao la pedia ao parceiro do lado, e ele tambem se mexia, e acabava toda a gente la dentro a mudar de posicao. Ao fim de 50 paragens para entrarem e sairem passageiros, la chegamos ao destino: Mpulungo! Mpulungo fica nas margens do lago Tanganika, que e' um dos maiores do mundo, e o mais profundo. Finalmente chegar, e ver outra vez agua como se fosse o mar, foi uma sensacao maravilhosa, quase de liberdade! Fiquei num lodgezinho, Nkupi Lodge, com cabanas individuais simples, mas limpas e arejadas. Soube a 5 estrelas, depois daquela viagem! No mini-bus comigo vinham dois americanos, um deles que trabalha no PeaceCorps. Para quem nao sabe (eu nao sabia), o Peace Corps e' um servico de voluntariado americano, organizado pelo governo, que envia jovens durante 2 a 4 anos para uma qualquer parte do mundo, para ajudarem populacoes locais. Este amigo estava numa aldeia no meio da Zambia, com outro colega, a viverem numa cabana igual 'a da restante populacao, e so ia a casa no final dos 2 anos! E no's ainda nos queixamos da vida de expatriado em Angola! (Eu agora, de longe, posso mandar estas bocas!)

Depois de instalados fomos beber uma cerveja 'a beira-lago, e ainda ver o por do sol. Ainda tentamos comprar peixe aos pescadores, mas peixe fresco, so de manha, pois claro!
Dia seguinte, alugamos um taxi entre os 3, e fomos visitar as quedas de agua de Kalambo, que, com os seus 200 metros de altura, sao as segundas mais altas do continente. Duas horas de carro por estradas de terra muito ma's, e la chegamos. Um pequeno rio, mas que, quando se atira do precipicio abaixo, se transforma numa cascata enorme. La embaixo, muito la em baixo, vemos onde aterra, no meio de um vale rodeado de escarpas. Tiramos algumas fotografias e, como nos tinham dito que podiamos tomar banho, fomos mandar um mergulho. A poucos metros da queda, pe ante pe, la nos metemos na agua. A corrente relativamente forte, com medo de sermos arrastados, foi um primeiro voluntario 'a frente (e' sempre o portugues, pois claro), agarrado pelo americano, ate' perder pe. La ganhou coragem e comecou a nadar para a outra margem, contra a corrente. Afinal nao era assim tao dificil! Podem vir, seus americanos maricas!Do outro lado dava para ir ate ao bordo do precipicio, entre dois bracos de agua e olhar mesmo para baixo, e ver a agua a desaparecer no abismo. Ficamos ali quase uma hora, so a ver a paisagem, a ouvir o trovao da agua, a aquecer ao sol, a sentir o vento que subia pelo precipicio acima, vento quente e forte. Os 5 sentidos inundados, isolados no meio de Africa...
Entretanto, la apareceu o Elvis para irmos embora. Elvis era o nome do taxista. 'A noite jantamos um peixinho que o Scot tinha comprado no mercado de manha (pois claro), e que a senhora do hotel preparou. No lodge estavam mais duas suecas, de 19 anos, que tambem andavam a viajar por Africa, da Namibia ate ao Quenia. Duas meninas loirinhas, de 19 aninhos, a viajar sozinhas, sao a prova de que qualquer pessoa, homem ou mulher, velho ou novo, pode viajar perfeitamente por Africa. E que a unica coisa que custa e' o primeiro passo, o de meter-se 'a estrada! O barco, o venerando MV Liemba, chegava no dia seguinte ao porto. Podia ser 'as 4 da manha, podia ser ao meio dia. Em caso de duvida, toca a deitar cedo.
'As 6 da manha fui ate ao porto, mas do barco, nada. Disseram-me que entre atracar, descarregar, e partir, deveria levar umas 4 horas. E que quando chegasse, o apito ouvia-se em toda a cidade. Aproveitei para subir 'a cidade, escrever um bocado no meu blog, comprar comida, cortar o cabelo (achei que a ocasiao exigia), e quando estava a chegar ao Lodge, que era em frente ao lago, la ouvi o apito do Liemba. Eu e as suecas metemo-nos no taxi directos ao porto. Tratamos dos papeis da fronteira, passamos pelo meio da multidao de gente que comprava e vendia os produtos que o barco trazia (peixe, arroz, etc), e entramos no barco, 'a procura do senhor que em principio nos ia vender os bilhetes. 'A nossa frente tinhamos 3 dias de viagem, a subir o lago mais comprido do mundo, num barco com 100 anos de idade!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Safari na Zambia

  
Viagem para Chipata

Viagem para Chipata

Uma noite em Lusaka, dia seguinte outra camioneta, agora para o interior da Zambia, mais precisamente o Parque Nacional de South Lwangwa.
Estacao as camionetas:
- Proxima camioneta para Chipata?
- E' esta, sai agora 'as 6.30, mas ja nao ha lugar. Tens que ir na seguinte, 'as 8.
- OK. Vou trocar dinheiro e ja volto para comprar o bilhete.
- OK, ja tenho o dinheiro. Quero entao o bilhete para as 8.
- Queres ir nesta das 6.30? (a camioneta ja em andamento a sair da estacao)
- Quero claro!
- PARA!!!! ESTA' AQUI MAIS UM PASSAGEIRO!!!
Abre-se a porta, eu a atirar as mochilas la para dentro e a correr pela rua fora. Pelo que percebi, o ajudante do motorista vendeu-me o lugar dele e ficou com o dinheiro. Foi e' a viagem toda em pe'...
8 horas ate' Chipata, e depois mais 4 horas de taxi de Chipata ate' Mfuwe (entrada para o Parque). Ja tinha reservado alojamento no Flatdogs (www.flatdogs.com) Ja era noite, comer e dormir. Tinha 'a minha espera uma tenda com cama e uma casa de banho ao ar livre. Nao e' para ter pena, as instalacoes sao optimas. Nestes lodges o dia a dia e' normalmente: das 6 'as 10 safari no parque, de carro, e das 16 'as 20 outro safari no parque. O safari e' feito em jipes abertos, sem portas nem tejadilho, com um guia local.
Primeira manha, saimos para o parque. Mal saimos do lodge, babuinos! Nao me largam! Gracas ao amigo deles das Victoria Falls, nao lhes acho piada nenhuma... Aparecem logo grupos de impalas, pukos e zebras. A vegetacao e' relativamente densa, com algumas zonas abertas. Muitos riachos secos, e um ou dois rios largos. Depois de uma hora a passear, comeco a achar que o parque nao vale nada. E entao comeca o festival...
Primeiro um pequeno grupo de 5 elefantes. Ficamos parados um bocado a ve-los. Entretanto, como estavamos no caminho deles, um comeca a a virar-se a nos, a agitar as orelhas e a fazer muito barulho. Vamos embora. Um elefante quando faz muito barulho e abana as orelhas e' so' para assustar e para afugentar. Perigoso e' quando recolhe as orelhas e comeca a correr. Ai' e' que esta' tudo fod....
Ha' bosta (a palavra inglesa e' dung, e nao me lembro de melhor traducao) de animais em cada esquina. Bosta fresca de bufalo! "Bufalo quer dizer leao", disse alguem. Isto promete! Mais uma hora a passear e mais elefantes. A meio da manha paramos junto ao rio, para um mini pic-nic. O rio cheio de hipopotamos, todos a descansar metidos na agua, 'as 8 ja esta algum calor. Esta um crocodilo na margem. Tento aproximar-me para ver melhor, mas ele foge para dentro de 'agua. E entretanto, na outra margem em frente, aparecem umas cabecas de bufalo do meio das arvores. A olhar, desconfiados. Avancam mais um bocado, e comecam a descer para o rio. Entretanto aparecem mais 4 cabecas. E sao 10, e sao 40, 60, 100, 150, 200!!! Uma grande manada de bufalos, todos a descer para beber do rio. Crocodilos na margem, hipopotamos a descansar, e umas quantas cegonhas a passar de vez em quando! Isto sim, e' um pic-nic!
De repente, um bufalo foge a correr. Viu um crocodio a aproximar-se. Os outros 200 vao logo atras. E em 3 minutos desaparecem os 200 animais na floresta. Mais uma hora de safari, com mais elefantes, impalas e zebras, e regresso 'a base. O Flatodgs tem tendas proprias, como a minha, mas tambem permite acampar no amplo jardim, seja no chao ou numas plataformas montados nos topos das arvores. As tendas estao viradas ou para o rio (sempre cheio de hipopotamos) ou para charcos, que nesta altura ja estao practicamente secos. A mim tocou-me um charco...
O dia e' passado a comer, dormir, ler ou a falar com os restantes safarianos. 'As 16.00 partida para novo passeio.
Desta vez o guia ja devia saber onde ele andava, e levou-nos directos a um leopardo! Estava o animal a tentar apanhar umas impalas ou umas zebras. Aguentamos um bocado mas ele nao teve sorte. Entretanto o guia levou-nos para junto do rio para beber uma cervejinha a ver o por do sol. Quando ja estava escuro, arrancamos, agora com um grande foco ligado, 'a procura de mais bicharada. Apareceu-nos logo o mesmo leopardo. Ele arranca a correr, vamos atras, e aparece-nos 'a frente uma hiena, a comer um bocado de impala. O leopardo aproxima-se e ataca a hiena para lhe roubar a comida, mas sem sucesso. A hiena e' bicho feio e forte! Mais umas voltas 'a noite, e regresso 'a base. Para ir do restaurante para as tendas, somos obrigados a ser acompanhados por um guarda. Golpe publicitario pela certa, para impressionar! Pois bem, logo na primeira noite, pergunto ao guarda: - Entao, algum animal por aqui hoje? - Claro! Olha, um hipopotamo. E pimba, aponta o foco para a minha direita, e a 3 metros de nos, um hipopotamo tranquilamente a comer ervinha da boa! Directo para a caminha, a ouvir muitos barulhos la fora, a imaginar o que por ali andava.
Dia seguinte, fomos fazer uma caminhada pela savana. Convenientemente acompanhados por um ranger armado. 3 horinhas a passear no meio do mato. Muitos hipopotamos, impalas, zebras, babuinos e alguns elefantes, que nos obrigaram a desviar o trajecto.
Ja andava o grupo a desesperar que nao havia leoes naquele parque, quando nos dizem que tinham visto leos nessa manha. Pois no passeio da tarde, directos aos leoes!! Agora de carro, pois claro. La estavam os gatinhos, refastelados na relva, a dormitar de barriga cheia! Cacaram de noite e agora dormem o dia todo! Estivemos uma boa mia hora a observa'-los. Um macho, 6 femeas e duas crias. A unica accao que vimos foi mesmo o macho a tratar de assuntos de procriacao com uma das femeas. Ali, sem pudor nenhum, nem pelas criancas!!! Tirando esses 20 segundos, os animais practicamente nao se mexeram. Fomos tomar a nossa cervejinha de fim de tarde, e tivemos a sorte de ver, mesmo 'a nossa frente, dois hipopotamos a lutar no rio. Este parque realmente e' um festival! Depois da cervejinha, mais um passeio pelo parque. Quase atropelavamos um leopardo que ia a passear. Conseguimos segui-lo pelo meio dos arbustos, ora perdendo-o, ora encontrando-o mais 'a frente. Mais hienas mas nada de lutas desta vez.
Nessa noite, mais um ou dois hipopotamos a passear pelo jardim. Meto-me na cama e oico arbustos a mexer mesmo ao lado da tenda. Saio para ver quem era, e escuridao total (eclipse lunar a decorrer). Ligo a lanterna e pimba, uma girafa ao lado da tenda! Como eu sou muito alto, a pequenina assustou-se e fugiu!
No dia seguinte, para nao enjoar, decidi ficar pelo acampamento, para poder dormir ate tarde e aproveitar a piscina. Pois devem ter sentido a minha falta. Nao eram duas da tarde, estou eu a contemplar o meu charco meio seco, e aparece uma manada de elefantes para beber de meu charco! Aparecem mais 2 ou 3 turistas para apreciar o espectaculo. Entretanto os elefantes voltam para o meio dos arbustos. E entao aparece outro elefante, daqueles dos grandes com uns dentes enormes, do outro lado da tenda. Vai para um lado, vai pelo outro, e eu la ganho coragem e ponho-me a andar, por tras do menino.
Dia seguinte regresso ao parque. Mais do mesmo: casal de leoes (agora isolados do grupo, va' la'), bufalos, hipopotamos, elefantes, avestruzes, impalas, pukos, passaros dos que voam (muitos muitos passaros) e babuinos, pois claro. O parque e' realmente incrivel, ha vida por todo o lado, paisagens variadas, do mais seco ao mais verde, todo o tipo de animais. So nao ha chitas, porque nao ha espacos amplos o suficiente para elas acelerarem. E' um parque que vale a pena visitar, e se possivel ficar no Flatdogs para ter a companhia dos animais. Na ultima noite, o guarda apontou para uma girafa no jardim. Estava muito perto, e com as arvores, so se via o corpo, e o pescoco a desaparecer nas arvores. A cabeca devia estar la para cima, pela certa.


Bufalos a matar a sede

Turistas a ver bufalos a matar a sede
 
Elefantes a atrapalharem o safari.

 E' preciso legenda?


Por do sol

Nascer do sol
 
Nos e os hipopotamos

Passeio pela savana ( ou, Parque a levar a comida aos leoes)

Leoes depois de comer turistas


Hipopotamos 'a bulha

Penetras no quintal das traseiras



sexta-feira, 1 de julho de 2011

Zimbabwe, parte 2




Sabado 'a noite em Harare, foi passado numa festa de uns amigos da Ana. Uma festa de divorciados! Os dois elementos do ex-casal estavam la, ele feliz da vida, ela com cara de poucos amigos. Coisas da vida... Mais uma festa da comunidade branca local. 99% brancos na festa. Nem nas nossas festas de quintal em Luanda, a falta de diversidade e' tao grande! No Zimbabwe a comunidade branca vive mesmo isolada do resto do pais. Vivem todos nas suas vivendas com piscina, jardins fantasticos, muros altos com vedacao electrificada, e so andam de casa de uns para os outros. E quanto mais problemas ha no pais, mais se isolam. Nao e' bonito de ver, nao senhor. Mas festa e' festa. Mas pior ainda que em Luanda, o gelo acabou num instante, e as bebidas pouco depois.
Domingo descansar/ressacar, um brunch com a consul de espanha e depois ainda fomos ver a casa dela. Jardim grande, piscina grande. Tudo muito civilizado. 'A noite fomos a um bar de musica ao vivo. Uma coisa como deve ser, ja mais perto do centro. daqueles com bastante fumo, e as mesas ainda pegajosas, da noite anterior. O artista e' Andy Brown, pelos vistos muito famoso neste pais. Mistura de jazz com musica tipica sul-africana. Excelente excelente! Coisa engracada aconteceu. Apareceu la um bulgaro amigo da Ana que, mal o vi, me lembrou o grande Sergio Montanha. Estive quase para lhe dar um abraco! Quanto mais olhava para o homem, mais me parecia! Deve ser das saudades dos amigos, mas tenho encontrado alguns amigos: um irlandes que e' o Osorio (as mesmas piadas exactamente!), uma consul copia da Riquito, e agora aparece Montanha, num concerto (local apropriado!). Estou a fazer a  viagem com amigos!

Na segunda-feira, tive o dia para passear sozinho pelo centro. Muito estranho: sem transito, muito limpo, parques e jardins bem cuidados, com as pessoas a almocar no meio dos jardins e apanhar sol, bancadas corridas de floristas, uma grande sensacao de seguranca. Pais muito civilizado, nao ha duvida. O mais impressionante e' que o pais continua a funcionar bem, embora esteja falido. Nem sequer tem moeda propria, utilizam agora o dolar (levantar dinheiro no multibanco em Harare e sairem dolares da maquina e' sempre engracado). Pelo que me disseram, as fazendas estao todas abandonadas, e a industria destruida. Mas mesmo assim, o pais funciona!
Nota curiosa para as lojas de internet. Muita baratas e com uns 30 ou 40 computadores cada, sempre cheias, e quase todos a usarem o Facebook. Por toda a cidade, em qualquer esquina.

Deitar cedo, no dia seguinte levantar 'as 6 para apanhar a camioneta de regresso a Lusaka, Zambia.





 



sexta-feira, 24 de junho de 2011

Zimbabwe

Viagem de Livingstone para Lusaka sem problemas. Como sempre, a camioneta foi parando ate encher todos os lugares. Isso deu para um atraso de 2 horas. O senhor que se sentou ao meu lado trabalhava para uma ONG local, que promovia a luta contra a SIDA nas aldeias, tanto a nivel de prevencao como tratamento e discriminacao. Aqui parece haver uma grande consciencia da doenca, e uma grande luta para travar e mesmo diminuir a incidencia desta. Mas numa cultura onde o homem e' o dono das terras e da casa, e a mulher nao tem outro meio de subsistencia, nas aldeias quem manda e' sempre o homem, e por isso a mulher tem que se sujeitar a tudo que o homem quiser. Por isso e' bastante comum mulheres casadas contrairem o virus HIV atraves do marido, que raramente e' fiel por estas bandas.
A conversa correu bem, e quando chegamos a Lusaka, ele ofereceu-me boleia para o hotel. Ainda bem, porque chegamos ja de noite, e quando sai da camioneta havia 50 taxistas raivosos (numero propositadamente exagerado, para gerar simpatia por parte dos ciber-leitores), a tentar arrancar-me a mochila para eu ir no taxi deles. Hotel simpatico e confortavel, e quente(!!!), refeicao simples. (Fairview Hotel). Dia seguinte acordar 'as 6 para apanhar a camioneta para Harare, Zimbabwe. A estacao de camionetas, de dia, ja parecia mais calma e civilizada. Entre puxoes para esta e aquela camioneta, escolhi a que tinha melhor aspecto para ir para Harare. Partiu ao meio-dia. Atravessar a fronteira foi muito facil, fizeram um posto comum, moderno, para sair da zambia e entrar no Zimbabwe. Havia babuinos a passear entre a fila de espera, mas desta vez eu estava atento!

Decidi ir ao Zimbabwe porque a minha amiga Ana, que se mudou para la ha 1 ano, tinha dito que aquilo era muito desenvolvido e organizado, e como so' se ouvem mas noticias sobre o pais, estava com curiosidade.
Cheguei as 22.00, a Ana foi-me buscar 'a estacao. "Hola (e' espanhola), que tal el viaje?, tra la la". "Vamos directos para o bar, porque a entrada fecha 'as 23, e depois ja nao ha sitio para irmos!". Era sexta-feira, va se la perceber...
Assim, directo da camioneta apertada e "bem cheirosa", fui directo para o bar mais "pijo" de Harare. Na zona residencial, so brancos bem vestidos la. La me arranjaram uns salgadinhos e umas cervejas para enganar a fome. Aparecerem uns amigos da Ana, conversa puxa conversa, e passado uma hora ja tinhamos posto toda a gente no bar a dancar em cima das mesas. Como sao passaros madrugadores, 'as 2 ja estavamos em casa.

Mais uma casa gelada, preparada tao e somente para o verao. Mas uma casa fantastica, numa zona residencial da cidade. Como descobri depois, Harare esta' dividida entre zona de vivendas e zona de edificios sociais de 4 ou 5 andares. Bairros de lata nao os vi, mas pela certa que os ha'. A zona de vivendas e' algo fenomenal. Quem tem um minimo de dinheiro mora nesta zona. Vivendas boas ou melhores, todas com um jardim enorme a toda a volta, todas (e acho que sao mesmo todas), com piscina. As ruas sao todas largas, os passeios sao de relva meticulosamente tratada, e arvores a fazer sombra. Pequenos centros comerciais ao ar livre, espalhados, a maior parte a distancia para chegar la' a pe'. A Ana mora numa vivenda com 2 quartos, 3 salas, cozinha enorme, empregada interna, seguranca, e jardineiro (e' o staff standard, parece). A renda: 1200 USD/mes. Para quem mora em luanda, isto da' para chorar... Nem sequer ha' transito para chegar ao centro!!!

No dia seguinte, uma visita a um pequeno parque nacional, com gravuras rupestres pre'-historicas. A zona esta' mantida como deve ter sido ha 50.000 anos 'atras, quando os primeiros homens andaram por aqui. Foi nesta parte do mundo (na zona que vai do Quenia ate ao Zimbabwe) que se cre que o homem evolui ate 'a sua forma de Homo Sapiens. As gravuras sao perfeitas, extremamente nitidas ainda, gravadas na parede de uma especie de anfiteatro formado naturalmente numa zona rochosa, onde eles provavelmente viviam. Igualzinho 'as figuras que temos nos nossos livros de historia do ciclo (segundo ciclo!).

Do parque voltamos 'a cidade, almocar um grande T-bone num dos pequenos centros comerciais. Civilizacao, e' o que e'! Depois, bem cheios, fomos visitar os leoes. Fomos a um pequeno parque, onde no nosso carro, andamos no meio de leoes bem crescidos. Mas eram animais calmos, domesticados (o tratador andava a pe no meio deles a fazer-lhes festas), optimos para tirar umas fotos. Depois, visitamos um pequeno zoo, onde tinham toda a especie de felinos africanos: leoes, chitas, hienas, cervais, e outros pequenitos que nao me lembro do nome. So tinham uma simples rede a separar os animais enjaulados dos animais visitantes, pelo que ficavamos muito perto dos leoes. Demasiado, talvez. A certa altura, estava a ver um dos leoes (bem crescido), quando este comeca a correr em direccao a mim, foram 2 segundos, e ele parou a 1 metro de mim. Fiquei branquinho de medo. Olhei para tras e percebi. As 4 pessoas que estavam comigo, momentos antes tinham virado costas e ido embora. Vi pela primeira vez o que sempre tinha ouvido dizer: os predadores selvagens (leoes, leopardos, tubaroes) quando vem alguem a fugir (virar costas e ir embora foi claramente entendido como fugir), fazem um clic na cabeca do animal, e ele imediatamente entra em modo de ataque. Menos mal que desta vez tinha uma redezinha a separar-nos. Como nao tinha forca nas pernas, fiquei ali a olhar para o bicho. Ele fartou-se e foi-se embora. Quando eu fiz o mesmo, la desatou ele outra vez a correr. De longe, e' um animal muito bonito a correr!

sábado, 18 de junho de 2011

Victoria Falls



Passei 4 dias optimos na ilha Bovu (e' esse o nome local).

Como a ilha esta' a 40 kms da cidade, ou se apanha boleia logo de manha quando a pick-up vai 'a cidade, ou nao se sai da ilha o dia todo.
Primeiro dia fiquei na ilha. Aproveitei para comecar a olhar para o itinerario da viagem com mais detalhe, e a estudar os meios de transporte, horarios e alojamentos. Tambem, para ler, relaxar, jogar 'as cartas, e falar com o resto das pessoas na ilha.

O dia seguinte, fui ate 'as grandes Victoria Falls. A pick-up da illha e' o unico meio de transporte que as pessoas da aldeia junto 'a ilha, tem para ir ate 'a cidade. Antes, levavam 2 dias para ir e vir. Agora, em 3 ou 4 horas estam despachados. Assim, alem de mim e do condutor, iam mais 8 pessoas no carro. Tudo normal...

As Victoria Falls, como estao no rio Zambezi, tem uma margem em cada pais, Zambia e Zimbabwe. Eu fiquei so do lado da Zambia, embora haja uma ponte que permite atravessar facilmente para o outro lado (ponte esta donde fazem um famoso bungge-jumping). A zona envolvente 'as cataratas esta' isolada e e' um parque nacional. Ao entrarmos aconselham-nos a levar um impermeavel, por causa da nuvem de vapor que a catarata provoca. Eles sao muito prestaveis e alugam-nos. Eu, muito desconfiado, aluguei um, a achar que estava a ser bem enganado. Nao estava. Ao aproximar-me da zona de queda de 'agua, comeco a ver uma nuvem 'a frente, e a sentir uma chuva miudinha. A cada passo que dava a chuva ficava mais forte. Ao fim de 10 metros, chuvia com forca. Ao fim de 20 metros, parecia uma chuva tropical, como nunca vi! A 'agua caia de cima, caia de baixo, caia dos lados, caia por todo o lado! Em menos de 30 segundos fiquei como se tivesse mergulhado no mar. Alem do desconforto que provoca, a nuvem faz com que nao se veja absolutamente nada das quedas de 'agua. So uma nuvem branca. A minha maquina digital e' 'a prova de 'agua, mas as fotografias so mostram uma grande mancha branca de nada...Fiz a visita em 10 minutos, e sai do chuveiro. Quando sai, estava razoavelmente seco da cintura para cima, mas encarcado da cintura para baixo, incluindo as botas. Com o hotel a 40 kms, decidi por-me ao sol, tirar as botas e tentar secar-me um bocado primeiro. Sentadinho em frente ao rio, tiro as botas, saco um pacote de batatas fritas da mochila, e quando estou a acabar de me instalar bem, aparee um babuino e rouba-me o pacote de batatas! Os babuinos sao relativamente grandes, para macacos, e este era um macho com uns dentes ameacadores. Peguei nas minhas coisas e mudei de sitio, enquanto ele acabava de comer as minhas batatas. Ja estava eu sentado mais 'a frente, e vem outra vez o animal, ainda com fome. Desta vez tenta levar-me a mochila! Tive que lutar um bocado com o bicho, mas fiquei com a mochila. A minha primeira luta com um babuino, vencida!
Voltei para a cidade, onde a boleia para a ilha estava 'a espera.


Tenho que dizer que ainda vi um bocado das cataratas. E sao realmente imponentes. Estava com receio que fossem so' mais umas quedas de agua, parecidas 'as de Kalandula. Mas nao, e' outra dimensao, poder e forca. Mesmo vendo pouco, sao esmagadoras. E o barulho que fazem e' brutal.

Passei mais 2 dias na ilha, basicamente a ler e a conviver com os restantes personagens com quem partilhava a ilha. Quinta-feira, dia 10, ganhei coragem e deixei a ilha. Apanhei boleia ate Livingstone, fui ate a estacao local de camionetas, e apanhei a seguinte para Lusaka. Assim de simples, viajar em 'Africa.



terça-feira, 14 de junho de 2011

Chegada a Zambia

Windhoek-Livingstone: 1.054kms.
A viagem foi feita de noite, o que e' mau porque nao vi absolutamente nada da paisagem da Namibia. O autocarro arrancou e eu, cheio de sorte, fiquei com dois lugares so' para mim. Para dormir vai ser optimo! Como aprendi entretanto, os autocarros em Africa vao sempre completamente cheios, nem que tenham que meter passageiros a meio da viagem. Que foi o que me aconteceu, com alguem a acordar-me 'as 3 da manha, eu mesmo no meio dum sono profundo, e ter que me encostar 'a janela da camioneta. Desagradavel, muito desagradavel. Menos mal que o homem nao sabia portugues (espero).
A camioneta seguiu a estrada ate ao norte, e depois foi sempre junto 'a fronteira com Angola, pela faixa de Capri, ate 'a fronteira com a Zambia. Ja de dia, passamos a fronteira. O posto era numa casa velha, e os passageiros do autocarro foram todos ao mesmo, o que aumentou bastante a confusao no sitio. Basicamente era uma sala com um balcao de madeira corrido, dois funcionarios de um lado e os passageiros todos do outro. Tudo ao monte, mas sem apertos nem empurroes. O visto que precisava arranjaram-me no proprio local, e quando todos os passageiros estavam despachados, seguimos viagem. Primeira fronteira africana vencida com distincao!
Na camioneta iam 3 brancos: eu, um chines(turista), e um branco com aspecto muito cacimbado (quem nao sabe o que isso e', va' a angola perguntar). Em conversa com outro passageiro, descobri que o branco cacimbado era dono de um hostal em Livingstone. Falei com ele, e ele indicou-me no Lonely Planet qual era. Pois exactamente um dos que me pareciam mais apelativos. Ele convidou-me a ficar la', ja' tinha transporte 'a espera na paragem. E assim cheguei ao meu verdadeiro primeiro destino.
O transporte era a classica caixa de uma pick-up. Fomos buscar mais 4 hospedes que tinham chegado nesse dia (seus amigos descobri depois), e siga para o local. 40 kms de estrada boa, mais 5 de terra batida. Menos mal que os amigos compraram cerveja que deu para a viagem toda.
Atraves da mata chegamos ao rio. O rio, o Zambezi, e' um dos maiores de Africa, e nesta altura do ano ainda esta muito cheio. Como comparacao, parecia o Douro em altura de cheias. O rio nasce no Zaire, passa por Angola, entra na Zambia, e vai a fazer de fronteira com a Namibia, Botswana, e depois Zimbabwe. Passa para Mocambique onde desagua no Indico. Ainda tem tempo para fazer as famosas Victoria Falls, as maiores cataratas de Africa, e razao porque eu vim a Livingstone. A ilha fica 40 kms a montante cataratas.
Tinhamos uma canoas tradicionais 'a nossa espera, e fomos rio abaixo, com o "condutor local", ja iluminados pelo por do sol, ate nos aparecer uma ilha cheia de arvores, e no meio dessa ilha, um bar em madeira onde as canoas encostaram. Veio-me logo 'a cabeca o fantastico Pelican Bar na Jamaica. E para quem conhece, sabe como estou a elevar a fasquia!
Nao descrevo mais a ilha, e' realmente fenomenal. Podem ir ver ao site: http://www.junglejunction.info/. Eu tive direito a uma cabana a 3 metros do rio, virada para o nascer do sol.
Desta vez o Lonely Planet tinha razao!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O inicio

Como acontece muitas vezes neste continente, o plano teve que ser alterado.

Tive que ficar em Luanda ate ao dia 1 de Junho. Como o meu visto de trabalho terminava dia 2, nao deu para ir de camioneta ate 'a Namibia. E os vistos em Angola nao sao faceis de renovar... Assim, no dia 2, viagem de aviao Luanda-Windhoek.

Para comecar bem a viagem, o aviao teve um pequeno atraso de 5 horas. Com isso cheguei de noite a Windhoek. Menos mal que tinha organizado transporte, porque o aeroporto fica a 30 kms da cidade, e nao ha taxis. Fui directo para o hostal. Mal cheguei comecei logo a sentir nos ossos que Africa nao e' so' calor. Estavam uns 10 ou 15 graus. O grande problema e' que os africanos sao como os portugueses, acham que nao e' preciso aquecer as casas porque o frio e' so' durante 3 ou 4 meses. E por isso o hostal era um verdadeiro congelador! Realmente era como dizia no Lonely Planet: "uma piscina optima, bar com esplanada que fazem as delicias dos hospedes". O gajo claramente nao veio a windhoek em Junho! Com 10 graus e sem aquecimento, jantar na esplanada nao e' muito delicioso... Confesso que nao vim preparado para este frio...
Assim, cheguei eram 22.00, fiz o check-in e meti-me na cama. Menos mal que o meu quarto tinha 3 camas. O saco-cama e os 3 cobertores foram suficientes para me aquecer.

Dia seguinte acordar cedo, tomar o pequeno almoco na esplanada deliciosamente fria. Pareciamos uns pinguins, todos a comer ao balcao juntinhos para nos aquecermos. Depois, dar uma volta na cidade. A cidade e' organizada, pequena e segura. Deu para andar sempre a pe'. Mas nao e' propriamente muito bonita. Lembrou-me um suburbio qualquer de Londres ou Chicago. Limpo, calmo, mas sem muitas arvores ou parques, e as pessoas, 99% negros, todos agasalhados com gorros e grandes casacos. Deu para comprar umas coisas que me faltavam (canivete, pastilhas purificadoras de agua, comida) e investigar os transportes. Camioneta para a Zambia hoje as 16.00, ou entao so' daqui a 3 dias. Decidi fugir rapidamente do congelador. Comprei o bilhete, almocei, voltei ao hostal, peguei nas malas e fui de taxi para a estacao das camionetas. A minha camioneta era optima, nova e confortavel. Assim, no dia 3 de Junho, a camioneta partiu, 'as 19.00 horas em direccao a Livinsgstone, Zambia!